
Em geral, no sistema comum as mulheres encontram praticamente os mesmos desafios que os homens, com cadeias superlotadas, condições precárias, tráfico de drogas, mas com alguns agravantes, como o fato de algumas serem mães solteiras e outras esteio de família. Segundo levantamento realizado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (DAPP/FGV), em 2018 o Brasil alcançou a marca de 42.355 mil mulheres presas, números que colocaram o país no 4º lugar em ranking que mede a população carcerária no mundo, atrás de Rússia (48.478), China (107.131) e EUA (211.870).
Apesar do quadro parecer tão complexo e dramático, existem alguns exemplos que se destacam no meio desse aparente caos e alimentam um fio de esperança para a sociedade. É o caso das APACs – Associações de Proteção e Assistência aos Condenados.
Fundada em 1972 por um grupo de voluntários na cidade de São José dos Campos/SP. Trata-se de unidades prisionais humanizadas e com índices de reincidência baixíssimos (por volta de 15%), principalmente se comparado ao sistema comum (80%). E o índice de fugas? Você pode se perguntar, também é baixo e, no caso das APACs femininas, praticamente inexistente.
Na instituição, os recuperandos (como são chamados os presos que cumprem pena na APAC) são responsáveis por todo o funcionamento do Centro de Reintegração Social. São eles que fazem a limpeza, a comida, auxiliam na administração e, por incrível que pareça, eles, inclusive, administram as chaves de toda a unidade. Todo recuperando trabalha (a cada 3 dias de trabalho eles têm 1 dia de pena reduzido). E, dentre várias unidades produtivas distribuídas pelas associações, pode-se citar a fabricação de blocos, a fabricação de móveis planejados, hortas, a panificação, marcenaria, carpintaria, artesanato, entre outros.
Voltando a falar sobre as mulheres, agora nesse universo das APACs, hoje são 09 unidades prisionais femininas. Assim como nas masculinas, as recuperandas também são responsáveis por todo o funcionamento da entidade e, além disso, elas também recebem um atendimento e suporte voltados à mulher, como, por exemplo, o acompanhamento pré-natal.
Até o mês de julho, as unidades femininas se concentravam exclusivamente em Minas Gerais, mas um projeto está mudando isso: a APAC feminina de Viana, no estado do Maranhão. No dia 5 de agosto, a APAC recebeu as primeiras 3 recuperandas, e o convênio prevê a chegada de mais 35 mulheres à unidade que é um marco na expansão do Método APAC no Brasil.
“Eu acredito na recuperação do ser humano, eu já vi muitas vidas transformadas e restauradas. Esse é o começo de uma nova história para essas mulheres.”, comenta a Irmã Cristina Rodriguez, presidente das APACs masculina e feminina de Viana/MA.
Cleiciane Carvalho é uma das 3 recuperadas que chegaram à nova APAC, feliz com a oportunidade, ela comenta: “Eu fui muito bem recebida aqui. Espero que todas as recuperandas que ainda vão chegar sejam abençoadas como eu fui. É o começo de uma nova fase em nossas vidas”.
As futuras recuperandas inclusive passaram por um curso sobre a metodologia antes de chegarem à APAC.
Conheça mais sobre a história das APACs no link abaixo:
http://www.fbac.org.br/ciema/index.php/pt/questoes
Fontes: Agência Brasil / conctas.org
